Empreendedorismo
Empreendedorismo
Palavras-Chave:
  • Empreended​orismo + M​arketing =​ Marketing​ Empreende​dor

    Rosangela Angonese

           Este artigo é uma contribuição de Cristiano Tossulino Machado, consultor do Sebrae e especialista em marketing empreendedor, com MBA na Baldwin Wallace University os Estados Unidos.

     

    Nos últimos anos uma nova área do marketing, o Marketing empreendedor, tem ganhado mais atenção dos estudiosos da área de marketing e passou a ser assunto pesquisas e de novos cursos relacionados ao tema.

     

    Na sociedade atual, encontramos um crescimento da necessidade de  práticas empreendedoras, principalmente nas economias emergentes.

    Quando as grandes corporações começaram a automatizar seus processos e reduzir seus quadros de funcionários, as micro e pequenas empresas  ganharam importância para as nações.

     

    Até pouco tempo atrás, marketing e empreendedorismo existiam como dois campos de estudo independentes. Contudo com o crescimento  da importância das micro e pequenas empresas e do comportamento empreendedor para as nações, os aspectos relativos ao marketing para pequenas empresas cresceu em importância. O Marketing Empreendedor é a junção de empreendedorismo e marketing e é utilizado principalmente por pequenas empresas, que tem recursos escassos.

     

    O comportamento empreendedor está normalmente relacionado a criação de novos negócios e inovação, geralmente em pequenas empresas e startups, também relacionado a empresas que começaram pequenas e se tornaram grandes, entretanto,  o marketing tradicional foi criado para ser aplicado em grandes empresas e corporações e precisa ser adaptado para ser utilizado por pequenas empresas, especialmente as  que se encontram em estágio inicial.

     

    Nos dias de hoje, as pequenas empresas operam em ambientes turbulentos, onde mudanças acontecem com mais freqüência e rapidez. Previsões são cada vez mais difíceis e a sustentabilidade de pequenos negócios está mais difícil de ser alcançada. Nestes ambientes de negócios cada vez mais competitivos, os empreendedores tem que “desaprender” alguns princípios de administração  e marketing e trocá-los por novos pensamentos e comportamentos que não apenas promovam inovações dentro de suas empresas, mas provoquem mudanças nos mercados onde atuam e nos ambientes de negócios onde suas empresas estão inseridas.

     

    O comportamento  empreendedor pode  ser o veículo destas mudanças e o Marketing Empreendedor a principal ferramenta.

     

    Já tinha ouvido falar nessa abordagem de marketing para pequenas empresas?

     

     

     

  • Onde você ​está procu​rando as o​portunidad​es de negó​cio?

    Rosangela Angonese

    Dias desses, fui para o Acre. Não, não fui para capital Rio Branco, apesar de ter passado por lá e conhecido o percurso que liga o aeroporto a um hotel no centro da cidade. Meu destino foi Cruzeiro do Sul, a 700 quilômetros da capital, quase divisa com o Peru, no meio da Amazônia.

     

    O percurso entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul, feito por avião da Gol, foi um momento de expectativa. Um momento para confirmar minhas fantasias sobre queimadas na floresta, campos imensos de desmatamento e, quem sabe, conseguir ver alguma tribo indígena no ‘coração’ da Amazônia. Durante toda a viagem mantive minha atenção na janela minúscula do avião e o que vi foram florestas, florestas e florestas, entrecortadas por curvas sinuosas de alguns rios, que não faço ideia de seus nomes.

     

    É impressionante a grandeza de nosso País e a distorção de nossa visão do que é o Brasil.

     

    Se no Rio de Janeiro, no aeroporto Santos Dumont, a pista de pouso é uma continuação do mar, em Cruzeiro do Sul, é a floresta, um grande tapete verde. Parece que se o avião cair, ele cai no macio das copas das imensas árvores e nada vai acontecer.

     

    Nessa cidade, a primeira surpresa foi o aeroporto. Para quem esperava encontrar um lugar feio e sem estrutura, a construção moderna e praticamente nova foi um choque (positivo, é claro).

     

    Para um lugar que, até dois anos atrás, a única forma de chegar eram os barcos e os voos precários e escassos, agora a cidade é acessada por estrada. Isso está fazendo toda a diferença no desenvolvimento e no espírito empreendedor das pessoas. A cidade está crescendo na vertical, dizem os seus cidadãos.  Aliás, tive a satisfação de ser acompanhada pelo Rangel, um motorista muito bem-educado que estuda pedagogia na universidade federal instalada na cidade. Para todas as perguntas que eu fazia ao Rangel sobre as condições da cidade, ele era categórico em afirmar  “isso... aqui funciona muito bem” ou “isso... aqui é o melhor do Brasil” ou “sim... isso... temos aqui”. Excesso de autoconfiança ou orgulho de ser um cidadão desse lugar? O fato é que ele me deixou muito bem impressionada: com o seu otimismo e com as condições empreendedoras que a cidade oferece.

     

    A construção civil está se desenvolvendo tanto quanto no resto do Brasil, mas não é só isso. Muitas outras oportunidades existem e são incentivadas pelas políticas públicas. Por exemplo, a indústria moveleira, que já exporta seus produtos. A indústria pesqueira, que também já exporta seus produtos industrializados para Ásia. A indústria agroalimentar, com sua famosa farinha de mandioca, que conforme o Rangel, é a melhor do Brasil. Experimentei, é excelente!

     

    Em lugares como esses,  podemos constatar que, mesmo com um vergonhoso crescimento do PIB em 2012, de 0,9%, as condições do ambiente socioeconômico, oferecidas por políticas públicas apropriadas, favorecem  o surgimento de empreendedores. E, em última análise (ou primeira), são eles que promovem o desenvolvimento do País.

     

    Quer oportunidade de negócio? Que tal pensar em voar aos recantos mais distantes do Brasil?

     

     

  • Jogando pa​ra vencer

    Rosangela Angonese

    Hoje, compartilho um artigo do meu colega de trabalho, Luiz Antonio Rolim de Moura, consultor do SEBRAE-PR e gestor do projeto SEBRAE CDT AL - Centro de Desenvolvimento de Tecnologias e Apoio a Cooperação Internacional para micro e pequenas empresas do Brasil e America Latina. 

    Segunda-feira, 8h da manhã, todos em campo e prontos para a partida. Na sua frente o adversário, a concorrência, com toda a equipe distribuída no campo do estádio chamado Sucesso, você olha para o campo e lá no fundo o gol, a vitória. É simples, você contratou os melhores jogadores e marcou o dia e a hora do jogo, tudo pronto. É só jogar, certo?

    Na vida empresarial e no futebol, um conjunto de atitudes e ferramentas são necessárias,  dentre elas a principal é o planejamento.

    É preciso estudar o adversário, o campo, a torcida, as regras do campeonato e também o gol.

    Planejar não é atividade de escritório ou sala de aula. É assumir o papel de técnico, passar uma estratégia clara para sua empresa, onde todos esperam de você a liderança.

    Liderar sem ter um plano, idéias estruturadas, é entrar em campo só com boa vontade e garra, duas ótimas qualidades, mas precisa de muito mais que isto para vencer.

    Um grande time reúne as qualidades individuais e uma capacidade de ação coletiva, consistência e principalmente regularidade. Campeonato é uma soma de resultados e não apenas um jogo. Para ser campeão, encarar o campeonato é preciso fazer planejamento.

    Derrotas acontecem, é preciso ter a consciência que todo bom planejamento deve ser flexível, permitir substituições, mudanças de estilo de jogo e até mesmo jogar pelo empate, por incrível que pareça, no jogo do mercado, perder também pode ser bom e necessário.

    Um bom planejamento deve ter opinião, provocar crença do time. Se não eles não vãosaber o que fazer com a bola. Coisas complicadas trazem resultados difíceis. Simplifique suas idéias.

    Dar broncas no intervalo  mandar jogadores para o chuveiro pode ajudar, mas não resolve o problema de um time que não tem coordenação e volume de jogo.

    Invista tempo em explicar antes de acumular perdas pelos erros de estratégia da equipe. Invista em apoio, consultoria, o saber pode mudar todo o jogo.

    Empresas vencedoras fazem um coletivo, um treino antes do jogo. O sucesso é quando a oportunidade encontra a preparação, o restante é só um acaso.

    Não veja o planejamento como algo complicado e muito distante de seu dia a dia na empresa, olhe o futebol, a lógica é a mesma.

    O maior desafio é a improvisação e a apatia, a crença que o “jeitinho” é uma ferramenta de solução, o jeitinho é só uma forma barulhenta de ficar na zona de conforto e não fazer o que é preciso.

    Empreendedor que não entra no jogo para vencer fica  somente na torcida, e lugar de torcida é na arquibancancada.

    Entre sempre jogando para vencer.  

    Luiz Antonio Rolim de Moura

     

  • Aqui e na ​China o qu​e faz a di​ferença me​smo são as​ pessoas

    Rosangela Angonese

    Menos de 30 anos foi o tempo necessário para que uma pequena vila no sul da China se transformasse numa das maiores cidades do país, com mais de 10 milhões de habitantes. A noção de tempo e de grandeza na China não tem comparativo, é tudo muito rápido e grandioso.

    Shenzhen está estrategicamente situada na costa, garantindo fácil escoamento da produção, e próxima a Hong Kong, o que sinalizaria a forte possibilidade de atrair a  mão de obra qualificada dessa metrópole que foi domínio inglês por mais de 150 anos, até 1997.

    Com a visão e planejamento de longo prazo, característico do jeito chinês de administrar o país, foi construída uma rede de transporte, ligando a cidade às demais regiões do país e a Hong Kong, por avião, trem, e rodovias,  além do terceiro maior porto da China, criando assim a infraestrutura necessária para atrair investimentos estrangeiros das maiores marcas mundiais de alta tecnologia, além,  é claro, das novas start-ups chineses, como a ZTE e Huawei, que, inclusive,  já estão no Brasil.

    O governo criou dois parques tecnológicos na cidade:

    ·         O parque tecnológico industrial, com o interesse de desenvolver as indústrias de biotecnologia e farmacêutica, material de construção, produtos químicos, eletrônicos, equipamento médico e de telecomunicações e centros de pesquisa e desenvolvimento.

    ·         O parque de software, que incentiva a instalação das empresas desenvolvedoras de softwares.

    É difícil afirmar o que vem primeiro, se a infraestrutura (estradas, universidades, centros de tecnologia, aeroportos, dentre outros) ou as empresas, mas o fato é que, hoje, esta cidade é o centro de alta tecnologia da China, atraindo os profissionais mais qualificados do país com mais 20% dos PhD. da China trabalhando em Shenzen.

    Nesse oásis de desenvolvimento tecnológico, visitamos duas empresas fabricantes de equipamentos de telecomunicações, como: celulares, centrais de transmissão e outros produtos do setor.

    A Huawei, especializada em pesquisa, desenvolvimento, produção e comercialização de equipamentos de telecomunicação. A empresa está presente em 90 países e foi selecionada por mais de 300 operadoras no mundo. No Brasil, tem uma subsidiária desde 2001, desenvolvendo e produzindo soluções tecnológicas para diferentes clientes e investiu cerca de 30 milhões de dólares na fábrica instalada na cidade de Campinas.

    A ZTE, uma das primeiras empresas chinesas fornecedoras de equipamentos de telecomunicações, a ZTE tem hoje cerca de 50.000 funcionários e 8.000 deles estão trabalhando em 100 escritórios espalhados pelo mundo. Desde 1996, a empresa tem fornecido seus produtos e serviços para 135 países e regiões, está presente no Brasil desde 2002 servindo grandes operadoras de telecomunicações.

    Ambas atuam no mesmo setor, de porte similar, de nível tecnológico idêntico, porém não são iguais por uma razão: as pessoas.

    Numa delas, tivemos um atendimento atencioso de um profissional altamente qualificado e conhecedor da empresa, que nos apresentou a história da empresa, suas estratégias, seus produtos, e, até, com direito a uma circulada pela linha de montagem. Tudo perfeito até chegarmos à outra empresa.

    Lá, tudo foi diferente. Para começar, dois executivos da empresa já estavam prontos para recepcionar o grupo na porta do ônibus, com a maior atenção. Primeiro, organizaram um lindo salão para uma foto do grupo, depois nos mostraram detalhadamente os produtos da empresa num showroom  cheio de surpresas tecnológicas que faziam brilhar os nossos olhos, com demonstrações, que, por vezes, pareciam intermináveis, mas atrativas.

    Conhecemos a logística da fábrica e, por fim, fomos recepcionados em uma linda sala de reuniões, com direito a chá, café, balinhas e água, servidos por simpáticas chinesas. Nesta sala, nos apresentaram a estratégia da empresa, seus objetivos e seus desafios. Na saída, uma surpresa: um presente para cada participante da missão, em sacolas individuais, um lindo porta-retrato com a foto tirada do grupo na entrada da visita, duas horas antes.

    Isso, certamente, fez toda a diferença na nossa percepção sobre qual das duas empresas teria maior preocupação com qualidade, com atendimento ao cliente e qual delas seria a mais confiável e querida.

    Não consigo identificar outra razão para tal diferença, se não o comportamento das pessoas que organizaram  a recepção e a visita ao nosso  grupo. Certamente, na segunda empresa, cada detalhe foi pensado para encantar o grupo de brasileiros, e nos encantou. 

    Esse caso me fez pensar o quanto custa gerar impacto positivo no outro, especialmente se ele for um potencial cliente. Praticamente nada de valor monetário.  Um simples porta-retrato com uma foto, mas que faz toda a diferença.

    O porta-retrato está aqui sobre a minha mesa para me lembrar o quanto pequenos detalhes podem fazer ganhar o jogo ou botar tudo a perder, especialmente na conquista de um cliente,  do coração de um parceiro ou funcionário ou (para os mais românticos) na conquista de um amor.

    Boa semana!

     

     

  • China: Mit​os e Verda​des

    Rosangela Angonese

    Compreender a China é um desafio e tanto, ainda mais quando se tem em mente ideias e crenças pré-concebidas.

    A China é um país ansioso por aprender e trabalha arduamente para ser uma nação de excelência. Isto, certamente, foi o principal aprendizado que obtivemos em nossa visita recente ao país do meio.

    Sim, isso mesmo, é o país do meio, porque os dois caracteres chineses que compõem a palavra china - 中国 -, traduzidos para o nosso idioma, significam:

     = meio, centro

    = país

     

    Essa razão linguística, talvez, explique o motivo de ela nunca ter empreendido conquistas territoriais para além-mar, porque  tecnologia e recursos  já existiam desde a Dinastia Song (ano 960 da nossa era). Nessa época, a China liderava a tecnologia náutica. Com suas frotas, ela poderia ter conduzido o império a uma era de conquistas e explorações, mas não foi isso que aconteceu.  As reivindicações territoriais do império chinês terminavam onde as águas começavam. Um pouco mais tarde, na Dinastia Ming, ano 1400, a frota chinesa possuía o que teria parecido uma vantagem tecnológica intransponível em tamanho, sofisticação e número de embarcações. Faria rir a armada espanhola que nasceu 150 anos depois.

    Apesar de tecnicamente capaz de dominar as conquistas além-mar, a China nunca empreendeu tal ambição. E, com isso, o isolamento chinês ajudou a criar a noção de que a China era única, o centro, não apenas uma civilização.

    A China, como explicou o ex-embaixador da China no Brasil Sr. Chen Duqing, é envolta em um cenário de mistérios para os estrangeiros. São mistérios que vão se desfazendo um a um quando conhecemos a sua cultura, cuja grandeza tanto assusta quanto encanta nos dias atuais.

    Com 1,4 bilhão de habitantes (o Brasil tem 192 milhões), 51% vivendo nas grandes cidades e o restante ainda no meio rural, onde persistem as  restrições educacionais, econômicas e  serviços sociais.  Estamos falando de um país com sete vezes o tamanho do Brasil. E, nesse sentido, tudo se multiplica por 7 ou por 10, dependendo do tamanho do problema. O gigantismo econômico impressiona, com um PIB de 7,4 trilhões de dólares (no Brasil é de 2,4 trilhões de dólares) e renda média  per capita de U$ 5.432,00 por ano (no Brasil U$ 12.800 por ano).

                Fábrica da Sany em Shanghai

    Muito se fala, por aqui, sobre as razões dos baixos preços dos produtos chineses. A primeira delas seria a mão de obra barata e a existência de “trabalho escravo” nas fábricas chinesas. Certamente, num mundo gigantesco como é o da China, deve haver diferentes facetas nos modelos de gestão adotados pelas empresas, no entanto, nas empresas que visitamos, havia até premiação para os melhores funcionários. Essas empresas nos mostraram ter um razoável cuidado com as pessoas. Nas fábricas, os funcionários estavam devidamente equipados com os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e com uma carga horária de trabalho muito similar a adotada pelas empresas brasileiras.

    A preocupação com a capacitação dos empregados é outro tema que merece destaque. Para entender esse processo, precisamos investigar um pouco o fluxo e a dinâmica migratória dentro da China. Os milhares de trabalhadores necessários nas indústrias chinesas são recrutados entre as pessoas que chegam às grandes cidades durante o feriado do Ano Novo Chinês em busca de emprego e de renda para manterem suas famílias. Elas vêm dispostas a trabalhar arduamente para ter uma vida melhor da que levavam nas regiões longínquas do interior da China. Esses recém-chegados, que nunca trabalharam em empresas, não têm noção alguma de como se comportar, de como funcionam as regras de conduta social e de higiene nas grandes organizações, além do completo desconhecimento sobre como operar uma máquina ou ler uma instrução.

    Por isso, as empresas investem em capacitação, com suas universidades corporativas e centros de treinamento, que funcionam dentro das próprias empresas e oferecem programações intensas de cursos para os funcionários. Na Sany, por exemplo, uma indústria de equipamentos pesados para construção civil, antes de ir para linha de montagem, um novo empregado passa seis meses só estudando.

    Mas, voltando ao custo... a pergunta é: quanto custa a mão de obra na China? Conforme um professor da Universidade Tsinghua, a segunda melhor da China, do custo R$ 100 de uma camiseta, por exemplo, somente R$ 1,75 fica com o trabalhador.  A maior parte vai para o varejo, para a marca. No Brasil, talvez, a proporção seja um pouco diferente, mas possivelmente o trabalhador deve ficar com uma das menores partes do bolo.

    Por outro lado, a realidade dos salários vem se transformando ano a ano. Segundo professores e especialistas com o quais tivemos contato, os salários sobem cerca de 10% ao ano. E a tendência é que continuem subindo, até porque a China começa a vislumbrar a necessidade de aumentar o consumo interno e para isso é preciso mais renda para os trabalhadores.

    Assim como a maioria dos países, e mais ainda devido à política de filho único existente na China,  é latente a  preocupação com o envelhecimento da população. A previsão é que até 2050 somente 60% da população esteja em idade produtiva, perspectiva que, para um país industrial e dependente de mão de obra intensiva, é uma preocupação e tanto.

    Além do salário, outro item discutido em verso e prosa, é a condição tributária praticada pelo governo chinês. Os “especialistas de plantão” atribuem à possível existência de incentivos fiscais e tributários escandalosos o motivo pelo qual os produtos chegam ao nosso país tão barato.  De fato, o governo chinês investe nos setores prioritários, segundo os seus “próprios critérios”. O investimento vai desde subsídios de matérias-primas até investimento de capital nas indústrias prioritárias, tudo com o objetivo de mantê-las competitivas no mercado internacional e garantir os empregos e a renda local. Quanto aos impostos, há sim impostos, porém as alíquotas e as regras de taxação ainda continuam no campo do “mistério”, pois não conseguimos obter informações precisas sobre isso. O que descobrimos é que há campanhas para reduzir a sonegação por meio de uma espécie de “raspadinha premiada” na nota fiscal.

    Não quero estender muito este post, até porque pretendo escrever vários textos sobre o que vimos e aprendemos na China. Mas, ainda assim, gostaria de tratar de outro tópico: a participação do governo nas empresas chinesas.

     

    Outro mito que levávamos na bagagem era de que tudo na China teria a participação do governo, uma vez que estamos falando de um governo comunista.

     

    Isso não é verdade. O governo participa, sim. Em vários empreendimentos o governo é o principal sócio e, em outros, tem pequena participação. Porém, há total liberdade e incentivo à atividade empreendedora, inclusive nas universidades. Novas empresas são bem-vindas, inclusive as estrangeiras, que podem se instalar no país sem interferência e participação do governo.

     

    Acompanhe-me aqui no blog para descobrir as verdades e os mitos sobre a China.

     

    Até lá!

     

  • O Sheikh E​mpreendedo​r

    Rosangela Angonese

    É quase impossível imaginar um lugar onde não há rios nem oásis natural, com temperatura média de 40ºC.,  num solo desértico em que não cresce nada, pudesse existir uma das cidades mais futuristas do mundo. Os edifícios mais parecem obras de arte projetadas num céu escaldante do deserto, os hotéis são verdadeiros oásis de mordomias, que fazem qualquer um se sentir rei ou rainha, as lojas são como o canto das sereias que seduziam o exército de Ulisses na famosa Odisséia de Homero - uma tentação ao consumo -, os restaurantes e bares (apesar de não servirem nenhum tipo de bebida alcoólica, levam ao êxtase gastronômico os mais exigentes paladares.

    O impossível deixou de sê-lo quando o visionário Sheikh Rashid, que governou Dubai de 1958 a 1990, dedicou-se com paixão e com uma visão clara do que era necessário para transformar Dubai em uma cidade moderna e desenvolvida economicamente e socialmente. Impulsionado por essa visão, esse empreendedor conseguiu o que muitos acreditavam ser impossível.

    A descoberta do petróleo, em 1966, trouxe a riqueza e muitas pessoas de volta a sua terra natal, o que já teria sido suficiente para gerar a acomodação de um governante. Mas, não foi para esse Sheikh empreendedor.

    Devido à proximidade geográfica de Dubai com a India, ela sempre foi um porto de escala importante para os comerciantes estrangeiros.  Com essa perspectiva, em 1979,  o Sheikh construiu o maior porto artificial do mundo - o porto de Jebel Ali-, posicionando ainda mais a região como um polo comercial.

    Se não bastasse, em torno do porto, foi criada da Jafza (Zona Franca de Jebel Ali), zona econômica que oferece facilidades e incentivos fiscais às empresas.

    Em Dubai, ninguém paga um centavo de impostos ou taxas, com exceção para a importação de bens e serviços, que é taxada a 5%.

    Mais recentemente, foram criados dois mega projetos para incentivar o comércio e a inovação,  o Midia city, que reúne as maiores empresas mundiais de mídia, como a CNN, BBC, Reuters, Sky News entre outras,  e o  Internet City que inclui empresas como a EMC Corporation, Oracle Corporation, Microsoft e IBM,

    No setor da construção civil, Dubai impressiona com os seus edifícios que mais parecem esculturas, com destaque para o Burj Al Arab (Burj em Árabe significa torre), o hotel em forma de um veleiro, e o Burj Khalifa, o  prédio mais alto do mundo, com 828 metros.  Além, é claro, das suas ilhas artificiais em formatos variados. O Palm Jumeirah Island é uma ilha artificial em forma de palmeira, com edifícios e casas maravilhosas, todas com direito a uma praia particular, que se desenha entre as folhas da palmeira.

    Somente a visão de uma pessoa sonhadora é capaz de transformar deserto em uma cidade com jardins floridos o ano inteiro, graças a um sistema de irrigação permanente, visível em suas linhas interligadas de mangueiras pretas que cobrem o solo entre uma flor e outra.

    Em Dubai, a população não só sabe qual a visão do seu líder, mas compartilha dela, todos querem que o seu paraíso seja o melhor lugar do mundo, e, com esse propósito, as pessoas trabalham e falam de sua cidade.  

    Conhecer essa cidade consolidou ainda mais a minha crença de que o mundo dá passagem para os homens que sabem onde querem chegar ou como disse Lawrence da Arábia, no livro Os Sete Pilares da Sabedoria:

    “Todos os homens sonham, mas não da mesma forma. Os que sonham de noite, nos recessos poeirentos das suas mentes, acordam de manhã para verem que tudo, afinal, não passava de vaidade.

    Mas os que sonham acordados, esses são homens perigosos, pois realizam os seus sonhos de olhos abertos, tornando-os possíveis.”

     Qual é o seu sonho?

  • China: o e​mpreendedo​rismo orie​ntado pela​ inovação

    Rosangela Angonese

    Quando se pensa em China, logo vem à mente produtos de péssima qualidade e com preços muito baixos, polêmicas quanto à questão dos direitos humanos, e, sem dúvida, o crescimento absurdo dos últimos 20 anos. A China cresce cerca de 10% ao ano, tornando-se, desde 2010, a segunda maior economia do mundo.

    Já se pensa em crise quando a taxa crescimento aponta para 8% em 2012, segundo o FMI. Isso parece irônico quando comparado com a estimativa do crescimento do Brasil para este ano, míseros 3%.

    Certamente, para muitos, a China é um país contraditório. Ao mesmo tempo que seu crescimento assusta - não só pelo crescimento, mas pela acirrada competição internacional que ela impõe às empresas do mundo inteiro e de todos os portes -, ainda mantém sérias restrições ao consumo de cultura ocidental, além de restrições de acesso aos sites de informações e relacionamentos, como Facebook e Google.

    Mesmo assim, a China, em 20 anos, mudou o curso da sua história, abrindo-se para o mundo, tanto economicamente quanto culturalmente, suscitando a curiosidade de empresários, estudiosos, profissionais e turistas em geral, que cada vez mais a elegem como destino em suas viagens de passeio  e de negócios.

    Segundo recente estudo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial - IEDI  , que apresenta a trajetória da China na busca pela orientação para inovação e o empreendedorismo, na área de ciência, tecnologia e inovação, a ascensão da China tem sido impressionante,  já figurando como a mais nova potência em tecnologia e inovação do planeta.

    A conquista não foi por acaso. Desde 1999, os investimentos chineses em pesquisa e desenvolvimento (P&D) crescem em média 20% por ano. A meta é elevar as despesas com P&D para 2,5% do PIB em 2020. No Brasil, ainda lutamos para alcançar 1,3% em P&D.

    Para se ter uma ideia do que isso significa, o número de solicitações chinesas de patentes internacionais mais do que triplicou entre 2006 e 2010, levando a China da oitava para a quarta posição do ranking.

    No âmbito acadêmico, a China  já está batendo na porta dos que mais publicam no mundo, os norte-americanos e japoneses,  em número de  artigos científicos publicados  em revistas especializadas.

    Segundo o IEDI, o sucesso da convergência tecnológica chinesa frente aos países avançados repousa na visão estratégica de longo prazo do governo, que vem, desde a década de 1980, elaborando sucessivos planos de desenvolvimento cientifico e tecnológico. Nesses planos, a prioridade conferida à ciência e inovação tem sido coerentemente articulada com outros aspectos da política industrial, tais como formação de recursos humanos, estratégias setoriais, propriedade intelectual, uso seletivo do investimento estrangeiro direto.

    Muito temos ouvido falar sobre a rigorosidade no sistema educacional chinês. Lá, todas as crianças e jovens são obrigados a estudar, e muito. Isso faz parte da política de investimento em capital humano empreendida na China nos últimos anos.  Além disso, há fortes incentivos ao estudo no exterior e na construção de infraestrutura de ciência e tecnologia, como laboratórios, centros de pesquisa, parques científicos e tecnológicos.

    Nessa direção, em 2006, a China criou o Programa Nacional de Médio e Longo Prazo para o Desenvolvimento Ciência e Tecnologia, que  pretende transformar o país em uma economia orientada à inovação até o ano de 2020.

    Os principais objetivos desse Programa são:

    ·         reduzir a dependência da China de tecnologia estrangeira para menos de 30% até 2020;

    ·         ampliar o gasto doméstico bruto com P&D para 2,0% do PIB em 2010 e 2,5% em 2020;

    ·         elevar a contribuição das atividades de C, T & I a 60% do crescimento do PIB;

    ·         posicionar a China entre os cinco principais países do mundo em número de patentes domésticas e em citação internacional de artigos científicos.

    Diante desse cenário, creio que temos muito a aprender com a China, além de nos prepararmos cada vez mais para a competição, por vezes e para alguns até desleal, do ponto de vista das condições produtivas, tributárias, entre outras.

    Neste domingo, partimos para essa jornada de aprendizados e descobertas rumo à China, com um grupo de 22 empresários.

    Espero poder publicar aqui no blog as nossas descobertas desse ‘mundo’, que tanto instiga quanto assusta.

     

    Até breve!

  • As oportun​idades de ​negócio su​rgem do ób​vio

    Rosangela Angonese

     

    É cada vez mais comum vermos negócios surgindo na área de prestação de serviços, a partir de habilidades e de hobbies do empreendedor.  É o jardineiro que inicia uma empresa de jardinagem. É a enfermeira que abre um negócio de assistência para pacientes de pós-operatório; o jogador de tênis que cria uma academia; o “medalha de ouro” em natação que cria uma rede de escolas de natação. É a menina apaixonada por música que abre uma academia de música. É a apaixonada por patins que abre uma academia de patinação. Enfim, são inúmeros os exemplos de empresas que nasceram a partir desse tipo de motivação.

    E não é só no Brasil não. Nos Estados Unidos, uma jovem engenheira de software da IBM, Leah Busque, na hora da saída para um jantar com seu marido, se deu conta de que o cachorro estava sem comida. Foi com essa necessidade que ela teve o insight de criar um negócio por meio do qual alguém pudesse pedir algo, como por exemplo, ração para cachorro e que algum vizinho pudesse comprá-la e alimentar o seu cãozinho em troca de um pagamento.

    Esse lampejo de criatividade levou a engenheira a criar um negócio, que hoje já atende mais 3 mil pedidos de serviços mensais ao preço médio de R$ 60. A Taskrabbit já está em oito cidades americanas e recebeu milhões de dólares de vários fundos de capital de risco (tipo de investidor que se torna sócio da empresa e recebe os lucros se a empresa os tiver ou assume o prejuízo junto com o empreendedor).

    Essa ideia surgiu da percepção da empreendedora, o que nos leva a crer que está nascendo uma nova categoria de empresas, impulsionada pelas redes sociais, pela troca e colaboração entre as pessoas e pelo avanço da tecnologia de comunicação móvel (smartphones, tablets, dentre outros).  Empresas que estão mudando a maneira pela qual as pessoas consomem produtos e serviços.

    Nesse tipo de negócio, o que importa são os indivíduos e não as empresas. Em geral, são ideias óbvias que se desenvolvem no mundo virtual e se realizam o mundo “concreto”. Como foi o caso da Taskrabbit. Ela faz a transação comercial no mundo virtual, mas o serviço é feito na casa do cliente, por uma pessoa que tem uma determinada técnica ou habilidade. Outras vezes nem precisa ter uma especialidade, mas querer ganhar um dinheirinho extra.  Como é o caso de pessoas que se oferecem para fazer companhia para os familiares hospitalizados em troca de um pagamento.

    Essa dinâmica mostra muitas oportunidades para os empreendedores, mas para captá-las é preciso entender como as relações se estabelecem nas redes sociais e também estar dentro desse mundo virtual, entender como funciona e, também, conhecer as técnicas, a linguagem, as ferramentas disponíveis de modo a conseguir transpor a ideia para a prática de um modelo de negócios na rede.

    Para transitar neste mundo virtual, já existe uma linguagem ou jargões próprios que devem ser conhecidos do empreendedor. Por exemplo, quando algo se dissemina pela rede, dizemos que é “viral”. E o é mesmo! Tudo o que “rola” na rede toma um volume absurdo em poucos minutos.  Veja o boom das compras coletivas.

    É fato, também,  que negócios iniciam e fracassam, sem que ninguém nem fique sabendo. Na rede tudo é muito rápido, inclusive tornar-se milionário a partir de uma ideia óbvia. Aliás, é no óbvio que moram as  oportunidades. O problema é que, na maioria das vezes, por ser tão óbvio, deixamos de lado.

    Quantas ideias aparentemente óbvias você já deixou de lado?

  • O timing d​as oportun​idades

    Rosangela Angonese

    Após um longo verão sem escrever no blog, hoje retorno. Gostaria, em primeiro lugar, de me desculpar com você leitor. Todos sabem que blog é uma ferramenta dinâmica, cujo meio, a internet, exige rapidez, frequência, movimento e informações úteis ao seu público.  Em quase todos esses requisitos, nos últimos 45 dias, eu “pisei na bola” com você que me acompanha neste espaço. Desculpe-me!

    Nesse período, surgiram muitos assuntos sobre os quais eu queria ter escrito. Para alguns, eu até ensaiei um pensamento que deveria ter tomado a forma de frases, parágrafos de modo a gerar informação e conhecimento para você que se interessa por empreendedorismo.

    Eu até pensei em escrever sobre isso agora, mas aí veio o sentimento de que o timing tinha passado. Por exemplo, num domingo desses, fui, como sempre faço aos domingos, na banca de revista próxima a minha residência e eis que descubro que a banca iria fechar. Não só a banca, mas também a pequena farmácia e a pequena instaladora de som automotivo que estavam instaladas no mesmo prédio. Motivo: um investidor comprou o terreno e vai derrubar tudo para construir uma grande farmácia de uma rede gaúcha, com um amplo estacionamento. Conclusão: três pequenos negócios, já consolidados para um público fiel, acabaram. Confesso que fiquei triste.

    Isso me fez refletir sobre quantos fatores ainda desconhecemos que levam ao fechamento de uma pequena empresa. Certamente, são muitos. Alguns controláveis e contornáveis e outros, completamente fora do controle e do planejamento de qualquer empreendedor bem preparado.

    Talvez, esses três empreendedores pudessem ter se antecipado ou buscado outros pontos próximos ao local. Mas nenhum deles fez isso. Simplesmente, desistiram do negócio.

    Outro assunto que tangenciou meu pensamento foi fruto de um artigo que li na revista da famosa Harvard Business School. Tal artigo falava sobre o reduzido número de grandes empresas mundiais que conseguem um crescimento superior ao crescimento do PIB mundial. O número é tão pequeno que chega a ser insignificante. Ou seja, no Brasil, quem cresce mesmo são as pequenas empresas. Grande parte delas tem apresentado crescimento muito superior ao ínfimo crescimento do Brasil, que foi de 2,7% no ano passado.

    É comum ouvirmos os empresários de pequenas empresas dizerem que cresceram 20%, 30%, 50% ao ano. Isso reflete o crescimento, ainda que pequeno, mas constante do País, além da enorme mobilidade social que temos assistido nos últimos anos. É mais gente consumindo de tudo neste País.

    Sobre isso, outro dia, eu falava com um amigo, que me contava sobre sua opção por “atender mais por menos”. Ele faz capacitação corporativa. Segundo ele, é melhor fazer 30 turmas de capacitação para a média gerência por um valor menor, do que fazer uma turma para os diretores, onde ele poderia cobrar bem mais. Porque se você olhar bem, diretores estão em muito menor número nas empresas do que coordenadores, supervisores e gerentes. É uma questão de escala, não é mesmo?

    Diante dessa amostra de temas que rondaram minha mente nesse mês, e que eu não consegui concretizá-los num texto no momento certo, fico com a reflexão e, talvez,  a mesma sensação de muitos bem intencionados empreendedores. Daqueles que já viram uma oportunidade e não foram capazes de agir no momento certo e no lugar certo. Esse é o típico timing perdido.

    Como diz o ditado popular “E agora, a Inês é morta”.

  • Quanto o s​ucesso nos​ negócios ​depende do​s outros

    Rosangela Angonese

    Já falamos aqui no blog sobre a importância da rede de contatos para o empreendedor, mas hoje quero voltar ao assunto devido à importância que ele tem para o sucesso nos negócios, analisando duas situações reais e, por um lado, parecidas e, por outro, opostas.

    Situação 1 – uma pequena empresa de prestação de serviços, na área de educação corporativa, muito bem-sucedida, planeja lançar um novo produto num mercado maior, mais potente e, consequentemente, mais exigente e competitivo. Essa empresa, embora exitosa no seu mercado atual, ainda não reúne experiência em outros mercados, como a região sudeste do Brasil. Ela teme que, se expor sua intenção para outras empresas do setor, elas poderão apropriar-se de sua ideia e sair na frente, “roubando” sua pretendida “galinha de ovos de ouro” e, tampouco, quer dividir os lucros com parceiros ou sócios. Por isso, pretende ir em frente com seu novo negócio sozinha, desbravando um novo mercado com seus próprios recursos e experiências.

    Situação 2 – uma empresa, também, de prestação de serviço, porém, na área de informática, igualmente muito bem-sucedida. Assim como tantas outras, essa empresa começou pequena, com poucos recursos, com alguma experiência técnica, hoje tem em sua carteira mais de 200 clientes de médio e grande porte em todo Brasil. Com sua base em Curitiba, mantém escritório em São Paulo devido ao número de clientes importantes naquele mercado. Ao contrário da situação 1, esta empresa se apoiou em parceiros potenciais, concorrentes e empresas complementares para prospectar clientes e ganhar experiência em mercados mais competitivos, como o de São Paulo. Ela faz isso até hoje, talvez, até com receio de ser “passada para trás”, mas com a segurança de que esta é a melhor, se não a única, forma de expandir os negócios quando se é pequeno e inexperiente.

    Tomei contato com essas duas situações recentemente e de forma quase que simultânea, por isso minha imediata comparação. Uma delas, ávida por entrar num novo mercado, mas sem a coragem de fazer isso em cooperação com outra empresa, e até de ver com clareza o quão frágil ela é e, por outro lado, o quão desafiador é o novo mercado pretendido.  Apesar disso tudo, há um mérito nesse empreendedor, muito importante, também, para os que desejam vencer e serem bem-sucedidos: a coragem de encarar um DESAFIO e INOVAR.

    Mas, fico aqui pensando, será que o caminho não poderia ser encurtado se essa empresa se aliasse a parceiros, mesmo que concorrentes? Lembrando que no mundo dos negócios o “timing”, esse sentido de rapidez, de estar no lugar certo na hora certa, faz toda a diferença.

    Cada vez eu me convenço mais de que a rede de contatos que conseguimos estabelecer e manter ao longo de nossa vida e a nossa disponibilidade e competência para acessá-la farão a diferença entre chegar mais rápido e fácil ou “patinar”, ou até “atolar”, rumo aos nossos objetivos.

    Uma sugestão: pense e registre quantas pessoas você conhece que podem fazer a diferença em sua vida, classifique-as por setor de atuação ou especialidade.

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